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terça-feira, 3 de março de 2009

BALADA DA NEVE


Batem leve, levemente,como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania: mas há
pouco, há poucochinho,nem uma agulha bulia
na quieta melancolia dos pinheiros
do caminho...Quem bate, assim,
levemente,com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...–
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,os passos
imprime e traça na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,e noto,
por entre os mais,os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos,
doridos...a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza e cai no meu coração.



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1 comentário:

gina disse...

QUEM MUITO DORME POUCO APRENDE
AGORA SE QUISERES MAIS FAZ TU XAU